O que acontece quando o maior horror deixa de estar no sobrenatural e passa a existir nas relações humanas? É a partir dessa provocação que “Drácula”, nova produção do Coletivo ROOF, revisita livremente o clássico de Bram Stoker para construir uma narrativa sobre narcisismo, sedução, controle e relações de poder.
Com direção geral e concepção criativa de Bruno Eustáquio, a montagem desloca o vampiro de seu território tradicional para um ambiente inquietantemente humano. Nesta versão, Drácula não se reconhece no espelho e, por isso, depende do outro para existir. Suas vítimas tornam-se simultaneamente reflexo, extensão e alimento de uma figura que precisa dominar para se sentir completa.
Ao retomar a estrutura original, na qual as principais vítimas são mulheres, o espetáculo estabelece um diálogo direto com questões do presente. A violência que permeia a narrativa deixa de ser apenas elemento fantástico e passa a provocar uma reflexão sobre relações abusivas, objetificação, controle e a violência contra a mulher, aproximando o mito de uma realidade concreta como o feminicídio.
“Nosso Drácula não é apenas uma criatura sobrenatural. Ele representa um homem que precisa do outro como espelho para sustentar a própria existência. A peça fala de sedução, poder e violência, mas principalmente daquilo que muitas vezes está diante dos nossos olhos e que escolhemos não enxergar”, afirma Bruno Eustáquio, diretor geral e responsável pela concepção criativa do espetáculo.
Em um ambiente fechado, no qual a passagem do tempo parece suspensa, a montagem cria uma atmosfera de tensão permanente. O público é colocado diante de um jogo em que sedução e ameaça caminham lado a lado, enquanto os limites entre desejo, manipulação e violência vão se tornando cada vez mais difíceis de distinguir.
A proposta é fazer com que o espectador reconheça no conhecido mito elementos presentes nas relações contemporâneas. O vampiro, nesse contexto, deixa de ser apenas aquele que suga sangue e passa a simbolizar também quem se alimenta emocionalmente do outro, transforma pessoas em objetos e precisa controlar para manter sua própria imagem.
Com classificação 18 anos, “Drácula” reúne um elenco de dez artistas, além de ator convidado, e conta com uma equipe multidisciplinar responsável por direção, coreografia, iluminação, sonoplastia, cenografia, figurino, maquiagem, vídeo e produção.
As apresentações acontecem até 1º de novembro, aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h, no Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, em São Paulo.
DRÁCULA — Uma produção do Coletivo ROOF
Período: Até 1º de novembro
Sábados: 20h / Domingos: 19h
Local: Espaço Parlapatões: Praça Franklin Roosevelt, 158 – São Paulo – SP
Classificação: 18 anos
Produção e realização: Coletivo ROOF
Assessoria de imprensa: Besseler Comunicação

